|
De todos os equipamentos de
pesca, o molinete é o que mais merece a nossa atenção quanto a sua
manutenção. Constituído de uma quantidade enorme de pequenas peças
e requer um cuidado especial e constante para prolongarmos a sua
vida útil. Uma das atenções principais, ademais do seu uso correto,
é lavá-lo com água doce toda vez que retorne de uma pescaria marítima,
a fim de neutralizar a ação corrosiva do salitre e evitar o endurecimento/desgaste
provocado pelo acumulação de areia. Damos a seguir alguns pequenos
conselhos e procedimentos corretos para manutenção do seu molinete:
1º - Retire o carretel e a
tampa ( lateral) do chassis. Com o dedo colocado no bico da torneira
d'agua aberta, a água sairá com pressão suficiente para uma lavagem
interna e externa do molinete.
2º - Após a lavagem, deixe
escorrer a água e seque bem.
3º - Proceda a lubrificação
nas partes mais retentores de salitre e de peças que se atritam
mais - Ex: parte interna da borboleta de freio, manivela, eixo,
base do guarda-linha com gotas de óleo fino e a coroa, pinhão, com
uma graxa, preferencialmente repelente a água.
4º - Convém lembrar que a lubrificação
das partes internas do molinete deverão ocorrer num prazo sempre
superior a seis meses (em condições normais ) e a externa, sempre
que retornar das pescarias.
5º - Passe um pano levemente
molhado em óleo, na parte externa do molinete, ajudará a conservá-lo
com aspecto de novo.
6º - Observe a recomendação
de armar primeiro a vara, ajustar as uniões e, posteriormente então,
colocar o molinete na vara. Isso evitará que ocorra o rompimento
do chassis.
7º - Guarde o seu molinete
em ambiente arejado, preferencialmente bem acondicionado e faça
periodicamente uma limpeza geral. Voce prolongará a vida do seu
equipamento e a certeza que o terá sempre em perfeitas condições
de uso.
VARAS
O desenvolvimento tecnológico
alcançou um estágio fantástico com a industrialização das varas
de pesca. Hoje, a apresentação das varas de fibra de carbono, grafite,
etc., no nosso mercado, geralmente a preços "salgados",
deixou como obrigação um cuidado maior na conservação e manutenção
do equipamento e consequentemente podermos usufruir, por mais tempo,
dos prazeres de pescar com um bom caniço.
Apresentadas, geralmente, por
junções de dois ou tres estágios, cujos encaixes deverão ser bem
fixados, a fim de se evitar a quebra da vara, nos lançamentos, o
material deverá ser lavado com água doce tão logo do retorno da
pescaria, secando com um pano as partes mais vulneráveis ( junções
dos passadores, cabo , prendedor e parte interna dos encaixes),
limpar os resíduos de areia e colocar uma gota de óleo fino nos
cantos da base dos passadores. Fazer uma revisão nos passadores,
ponteira e prendedor do molinete
Após toda a revisão, tomar
o cuidado no acondicionamento da vara de pesca é de suma importância.
Eis alguns conselhos:
- Evitar colocar muitas varas
num mesmo saco, a fim de não prejudicar os passadores.
- Evitar deixar atrás da porta,
pois um descuido e a ponta poderá quebrar.
- Evitar colocar no chão,
pois desavisadamente alguem poderá pisar e quebrar o seu equipamento.
- Antes de guardar as varas
passe um pano com óleo fino nas partes externas, ajudará na conservação.
ANZÓIS
Material simples e com um histórico
bastante longo desde os primórdios do seu uso como equipamento de
pesca, o anzol, peça com duas extremidades, sendo a superior destinada
a fixar-se à linha ou arame, conforme seja o tipo da pescaria e,
na outra extremidade contém a ponta e um pequeno ressalto ( barbela
ou borboleta) destinado a evitar que o anzol escape após ferrar-se
ao peixe. Atualmente uma enorme variedade de bons anzóis existe,
para uso da pesca de lazer e das mais simples às mais complexas
e sofisticadas pescarias de competição. Dos famosos "unhas
de gato" aos Mustad's, Gamakatsu's, Maruseigo's, Kitsune's,
Leon D'or entre outras infinidades de marcas e tipos de anzóis,
cada qual com suas característisticas de fabricante, de modalidade
a que se propõe, de tamanhos e formatos diferenciados. De uma coisa
podemos afirmar: pela prática e convencionalmente, só dois tipos
de anzóis nos interessam: o anzol de "pata" e o anzol
de "argola".
Inicialmente, podemos dizer
sem medo de errar: o uso do anzol de competição, por suas características
de fragilidade e corrosão imediata, dificilmente serão reaproveitados
para outras competições, pelo que não abordaremos sobre a sua manutenção,
por razões óbvias.
Já com referência aos anzóis
de pescaria "lazer", os de maior resistência e reaproveitamento,
teceremos alguns comentários sobre sua manutenção e cuidados essenciais.
Anzol de "Pata":
Diz-se que um anzol de "pata"quando sua extremidade superior
é achatada e consequentemente impede a isca de sair com mais facilidade
e permite a sua maior aderência. Ideal para pescarias de competição,
onde as iscas ( camarão, sarnambi,corrupto etc.), são pequenas e
evita que a isca desça, se bem que com o advento do "elastricot"
( falaremos em outro item ), esse problema deixou de existir.
Anzol de "argola"
ou anzol de aro: muito usado na pesca de lazer, é excelente para
águas paradas ou fracas e para os peixes que preferem a isca em
bolos ou compacta. Já com as iscas como o camarão, corrupto etc,
a argola provoca rompimento na espinha dorsal, facilitando a sua
soltura ou fragilidade de aderência, quando do iscamento e lançamentos.
É comum aos pescadores mais
desavisados, por comodidade, deixar quando do retorno de uma pescaria,
os anzóis presos aos carretéis ou mesmo armados no caniço, inclusive
com as iscas, antes utilizadas.
Aconselhamos:
após ter utilizado um anzol,
lave-o e limpe todos os vestígios de isca antes de guardá-lo.
Não o deixe com a ponta presa
no carretel, pois , fatalmente danificará não só o anzol como o
nylon.
Evite guardar os anzóis utilizados
junto com os novos, pois a ferrugem se espalharia mais rapidamente.
Ao trabalhar com anzóis tenha
bastante atenção! evite deixar pelo chão ou em lugar de livre acesso
às crianças.
Guarde os seus anzóis, preferencialmente,
num frasco de vidro, a fim de poder acompanhar visualmente o seu
estado de desgaste e reaproveitamento.
ELASTRICOT
Um dos maiores problemas para
a pesca de arremesso, tipo de pesca com suas características próprias,
basicamente feita de lançamentos da beira da praia para se alcançar
longas distâncias e os canais mais propícios à captura de peixes,
era justamente fixar os pequenos pedaços de isca aos minúsculos
anzóis de competição. Com a impulsão do lançamento, o efeito "resistência
do ar"e o constante "beliscar"de pequeninos peixes,
a isca sofria todo tipo de agressão e, fatalmente tendia a soltar
dos anzóis ou então fragilizar-se quando chegava n' água. Estratégias
das mais variadas eram utilizadas, indo desde a utilização do fio
de meias de seda, pequenas tiras de plástico e uma infinidade de
"criações"de pescador. Não se sabe quem, quando ou aonde,
mas alguem descobriu um acessório para trabalhos manuais que caiu
como uma luva para o fim desejado de segurar a isca ao anzol. E
aí surgiu um fácil, prático e utilíssimo produto, o "elastricot".
Acondicionado em um carretel
pequeno, contendo 200m de uma fina linha de 100% elastano, fabricada
no RJ pela indústria Sininbu S.A, o elastricot favorece os grande
arremessos e a certeza que a isca chegou intacta ao seu destino
e consequentemente aumentando a probabilidade de sucesso.
Aconselhamos:
Manter o tubo, preferencialmente
em lugar arejado, evitando os raios solares.
Evitar o seu contacto com a
água salgada, procurando , quando em uso, proteger contra o salitre.
Lavar o tubo tão logo retorne
de uma pescaria e coloque-o na geladeira.Voce só tem a usufruir
ao proteger o seu material.
Retire do tubo a quantidade
necessária para o seu uso na pescaria, repassando alguns metros
para um tubo auxiliar.Assim voce evitará uma maior probabilidade
de estragar todo o conteúdo do recipiente original.
Enrole um pequeno pedaço do
fio na parte superior do anzol, prendendo a isca. Não provoque o
efeito "múmia", que vem a ser enrolar a linha em toda
a extensão da isca, no anzol. Isso dificultará na ferrada e tornará
a isca muito compacta, na aderência ao corpo do anzol.
CHUMBADAS
Muito pescador desconhece a
importância no cuidado da chumbada. Prá ele chumbada nada mais é
do que um chumbo que se põe nas redes e na extremidade de linhas
de pesca, para fazê-la ir ao fundo. Prá outros, por acharem que
a chumbada é feita de um um material metálico resistente elemento
de número atômico 82, mole, muito denso e que utilizado em ligas
de diversos compostos, servem só para caçar, pescar, etc., ledo
engano!!
Não só a ciência na utilização
da chumbada certa para a pescaria certa, no local certo, na praia
certa, mas a conscientização de que todos os elementos se harmonizam
para que o pescador impulsione a vara, essa a chumbada e essa traga
consigo a linha que contém os anzóis e as iscas - Simples, né?
Basta a argola da chumbada
não está em perfeitas condições de aguentar o "tranco"de
um lançamento e voce terá um problema a resolver. Por isso, há necessidade
de uma revisão das chumbadas a serem utilizadas, verificando-se
o estado de conservação das argolas.
Outra coisa importante é não
deixar o formato da chumbada ser danificado ( quedas por exemplo),
pois irá modificar o seu percurso quando do lançamento.
As chumbadas devem ser acondicionadas
em sacos de pano, separadas por tamanhos e evitar os lugares úmidos
para não enferrujar as argolas ou criar crostas indesejáveis. Em
item específico de "chumbadas",logo iremos nos ater aos
comentários sobre "a chumbada em nossa pescaria".
TIPOS E FORMATOS
É a nossa intenção, principalmente,
informar aos amigos pescadores, diversos tipos e formatos de chumbadas,
que serão usadas nas nossas pescarias, levando-se em conta as características
de cada praia.
Chumbada "Torpedo".
Ideal para a prática do corrico,
por manter a isca estabilizada e evitar as tradicionais "cambalhotas".
Como possuem giradores acoplados, estes dimensionados para um esforço
de 13,5 kg, devemos utilizar linhas com diâmetro superior à ,40
mm. São encontradas com pesos variados, para uso de acordo com a
profundidade e correnteza da água.
Chumbada "Ovo".
Tem como característica principal
a eficácia e versatilidade na maioria de nossas pescarias. Também
são apresentadas em diversos modelos e pesos.
Chumbada "Palheta".
Similar à chumbada "Ovo",
com uma eficiência maior quando utilizada em locais com forte correnteza.
Chumbada "Cachimbo".
Sua eficiência em pescaria
de iscas naturais, de preferência vivas, tem se mostrado como fator
de grande aceitação entre os pescadores do Brasil e Norte Americanos.
Chumbada "Pé de Pato".
Ideal para locais com excesso
de galhadas, pedras, vegetação etc., já que pelo seu formato especial
permite que ela seja deslocada para cima quando recolhida rapidamente.
Chumbada "Clava".
Muito usada em pesca de beira-de-praia,
em locais de média ou forte correnteza, onde a fixação é conveniente.
Apresentadas em pesos : 60 g - 90 g e 120 g.
Chumbada "Desarme".
Inicialmente utilizada por
pescadores da Europa ( Itália), mais tarde introduzida no Brasil
e com excelentes adaptações, feitas pelo conhecido pescador/artesão
José Matos de Araújo, ( vice presidente do Clupampo-BA),, que procurou
adequar o seu uso nos diversos formatos e tipos, para as praias
brasileiras e hoje já podemos dizer que são usadas em todo o Nordeste
com uma grande eficiência nas marés de forte correnteza. As chumbadas
"desarme"possuem como características, o seu poder de
fixação transitória e logo que iniciamos o seu recolhimento, as
suas garras ( presas com miçangas) se desarmam, diminuindo o atrito
com o solo marinho.Apresentadas em pesos de 25 a 150 g, com diversificação
quanto ao tamanho dos "ganchos", já podemos encontrar
para comercialização, bastando contactar com citado artesão pelo
fone (071) 243.1065, horário comercial.
Chumbada "Ogiva".
Ideal para pescarias onde utilizamos
iscas como minhocas, salamandras e grubs artificiais, com pesos
diminutos de 3,5g - 7g - 10,5 - 14 g.
Chumbada "Gota"com
ou sem girador.
Excelente para uso em "chicotes"com
uma ou mais "pernadas", quer em locais profundos ou não,
com ou sem correnteza. Quando, com o girador, evita a torção constante
da linha ou do conjunto. De grande utilização nas praias de "barra
leve", justamente por facilitar o atrito com o solo marinho,
oferecendo a oportunidade de se trabalhar e sentir mais a presa.
Existem modelos similares, no caso sem o girador e usada muito na
prática de "casting"e para locais onde exista pouca ou
nenhuma correnteza. Seu formato lhe permite alcançar rapidamente
grandes profundidades e desvencilhar-se satisfatoriamente da grande
maioria dos obstáculos submersos. De pesos variados, já podemos
encontrá-las em qualquer caso do ramo.
Chumbada "Pirâmide"com
ou sem girador.
A mais popular das chumbadas
usadas por inúmeros pescadores, principalmente de beira-de-praia,
de formato piramidal e excelente pela fixação em lugares lamacentos
ou arenosos. O uso do girador é para evitar a torção exagerada da
linha ou do conjunto.
Chumbada "Granada".
Ideal para locais de pouca
correnteza ou solo liso, principalmente lagos, reprêsas e açudes.
É uma das mais populares chumbadas utilizadas pelos pescadores de
pesca embarcada.
Pela experiência que vivenciamos
nas nossas pescarias de treinos e testes de materiais utilizados
nas competições ou de lançamento de novos produtos no mercado, podemos
afirmar, sem medo de errar, o quão importante é saber usar as chumbadas
certas para as diversas etapas de uma pescaria, quer de lazer ou
de competição. A escolha deve se fundamentar nas características
próprias das chumbadas em consonância com a praia, vento, correnteza,
profundidade e o conjunto molinete ou carretilha/vara/linha. Saber
usar um chumbada certa, ou trocá-la no momento devido, tem sido
de fundamental importância para se ter sucesso na maravilhosa terapia
que é a pesca.
|