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– Perfil econômico de Santa Maria
A partir de Agosto de 1801, quando a Comissão de Demarcação de Limites de Rio Grande recebeu ordens para recolher-se à Porto Alegre, os ranchos que ocupava no Rincão de Santa Maria passaram a ser habitados por ex-serventuários da referida comissão e pela população pobre das cercanias. Sua constituição racial e ética era heterogênea. Havia açorianos, paulistas, paranaenses, catarinenses, espanhóis e outros foram divididas em sesmarias, nas quais predominava a criação de gado e o cultivo em pequena escala de trigo, milho, mandioca e batata.
Quanto ao comércio, segundo relato do cientista francês Auguste de Saint-Hilaire feito em seu Diário dos dias 06 e 07 de agosto de 1821, datas de passagem por Santa Maria, era exercido por pequenos comerciantes de fumo, aguardente e outras mercadorias. Saint-Hilarie ainda registra que os produtos da lavoura são consumidos aqui mesmo e pequena quantidade é exportada para a Capela de Alegrete. Em 1824, também esteve no Rincão de Santa Maria o viajante francês Nicolau Dreys, o qual, em seu Diário entre outra coisa registra o seguinte : "os habitantes que lá permaneceram são pela maior parte mercadores de líquidos espirituosos e de alguns tecidos ordinários das compras semanais da gente do país (lugar)".
Nos primeiros decênios de Santa Maria da Boca do Monte o desenvolvimento econômico da região era prejudicado pela baixa densidade populacional, pela falta de estradas, meios de comunicação e pela pobreza generalizada. Até o surgimento das charqueadas, das res só se aproveitava para a comercialização o couro, chifres e crina.
Cerrito




Todo esse cenário começou a mudar com o início da imigração alemã, ocorrida a partir do início da década de 1830. Os alemães aqui chegados, dotados de uma cultura mais sólida e avançada, passaram a exercer as profissões de comerciantes, alfaiates, ferreiros, tamanqueiros, curtidores, ourives, tanoeiros, construtores e outras. Graças ao seu trabalho, os germânicos e seus descendentes tornaram Santa Maria auto suficiente em produtos industrializados e do artesanato, ,utilizados na época, com exceção de ferramentaria e sal. A não ser no período da Revolução Farroupilha, quando o comércio e toda a economia local ficaram desestruturados, a descendência alemã foi a mola propulsora do desenvolvimento econômico da cidade até o início do século XX.
A partir de 1877, foi a vez dos italianos darem sua história e memorável contribuição para a expansão populacional e crescimento da economia do município. Segundo cálculo do imigrante Júlio Lorenzoni, no apogeu da imigração, no final do século XIX, a população da 4ª Colônia não seria inferior a 15.000 habitantes. Naquela época, os descendentes germânicos exploravam colônias agrícolas no município, sendo as de maior importância às de São José do Pinhal e São Pedro. Mas, foi graças à colonização italiana que Santa Maria se transformou, no início do século XX , no maior polo de produção e exportação de produtos primários do Rio Grande do Sul . Foi em 13 de outubro de 1885, que Santa Maria já beneficiaria como centro geográfico do Rio Grande do Sul, e com as colonizações alemã e italiana obteve sua mais importante conquista : a ferrovia, ligando a cidade à capital gaúcha. A cidade, após transformar-se no centro ferroviário do Estado, assistiu a um espetacular crescimento do seu comércio, hospitais, instalação de unidades militares e outros serviços públicos.



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Durante todo o século XX, a economia não parou nunca de crescer, principalmente nas áreas do comércio e das atividades de prestação de serviços. Lamenta-se que, por vários fatores, a indústria não acompanhou esse crescimento. Com a imigração libanesa, iniciada em 1888 e a judia começada em 1904, foi beneficiado o comércio. Imigrantes dessas etnias, alguns anos após sua chegada à cidade, foram responsáveis pela implantação de algumas das mais importantes casas comerciais do passado santa- mariense. Após a Segunda Guerra Mundial e, principalmente após a instalação da Universidade Federal, Santa Maria passou por uma nova fase de expansão. A cidade tornou-se um centro rodoviário, ligado por estradas asfaltadas à todas as regiões do Estado
Os serviços públicos de água e esgoto, energia elétrica e telefones deixaram, em nossos dias de serem problemas. Segundo dados do IBGE, levantados no Censo e 1990, a estrutura da Renda Interna do Município (PIB), tinha os seguintes percentuais de participação : agropecuária, 9,21%; indústria 9,75%, comércio de mercadorias, 25,38%; outros serviços ,55,65%. Como se vê e se constata com surpresa, o setor de outros serviços contribui para o PIB local com um percentual maior que o da soma dos setores agropecuário industrial e comércio de mercadorias. Pelo desenvolvimento estatístico feito pela revista Exame, com dados de 2001, Santa Maria ocupa a quarta posição entre as melhores cidades gaúchas para negócios, segundo a mesma revista, ocupa a 72ª posição. Com invejável potencial econômico que possui o município, prevê-se um a maior expansão urbana, crescimento de sua economia e melhorias da qualidade de vida de seus habitantes.
Cirilo Costa Beber
- Militar (capitão)
- Contador (1947)
- Bacharel em Ciências Econômicas (1959)
- Professor da UFSM(1959 a 1990)
- Fundador da Câmara do Comércio e da Indústria de Santa Maria (CACISM) da qual foi o primeiro presidente (1976/1984)
- Imigrande Destaque 2001 - "Vicentino Bnemérito no Exterio

 
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